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Review: Bouncing Souls, “Comet”

20 de julho de 2012 | Por: Andrea Ariani

CometBouncing Souls
Comet (2012)
Punk
Chunksaah Records / Rise Records

.:Por
Andrea Ariani

O Bouncing Souls é uma banda paciente. Seguindo unicamente o seu feeling, não tem pressa de lançar discos cheios e nem hits para saciar um mercado faminto. Levou dois anos para que para que lançassem um disco de inéditas. Ghosts on the Boardwalk saiu em 2010 e foi o último até então totalmente independente. Comet teve o primeiro single, “Static”, lançado em março deste ano. O álbum inaugura a parceria da Chunksaah Records, gravadora própria da banda com a Rise Records. O disco gravado no lendário The Blasting Room – estúdio localizado Colorado, EUA, onde foi gravado entre outros, discos do Descendents, Black Flag, Rise Against e outros gigantes da cena punk/HC americana – teve produção de Bill Stevenson, baterista do Descendents e não menos lenda que o estúdio. Tem sua assinatura discos de bandas como NOFX, Propagandhi, The Casualties e Hot Water Music.

O já citado primeiro single é realmente um das melhores faixas e uma das mais contestadoras do disco. Nela, o vocal Greg Attonito questiona com certa fúria as músicas atuais feitas sem alma, poesia, história e só serem barulho, barulho, barulho (repetido assim mesmo, várias vezes) tocando nas rádios que não dão mais opção de escolha. Na verdade, é uma insatisfação geral com um mundo regido atualmente, dentro e fora das telas, por zumbis e mentes vazias.

Todas as dez faixas refletem as características típicas da banda: o som simples e direto e o questionamento sarcástico. Falando primeiro das mais agitadas, “Baptized”. Ótima faixa e uma das que deve ser single, fala sobre o descrédito em novos discursos, uma “nova era de infundados”, diz. “DFA” ou “Down for anything” talvez seja uma resposta sobre esse cansaço que bate ficar tentando escrever e fazer músicas para combater toda essa lógica mercadológica e ideológica estabelecida. “Fast times” é hit radiofônico, fala da correria e mudanças dos dias atuais. É uma música suingada, misturando ska e tem aquelas letras pra pogar e cantar como outros hits antigos como “True believers”.

Forte candidata a hit, a faixa título é a mais longa do disco com quase mais de 5 minutos de duração. Enfatiza solos e breakdowns típicos de algumas faixas da extensa discografia como Kids and heros. Outras faixas mais lentinhas dão o equilíbrio ao álbum. A quase balada “In sleep” e a intro acústica de “Ship in a bottle” questionam a vida, o céu, o mar. O amor, mesmo, com doses generosas de deboche, está no punk bubble gum de “Coin toss girl”. O disco termina pra cima. Mesmo com toda força puxando pra baixo, o BS sacramenta o espírito da banda contestadora, sim, mas com bom humor em “We love fun”.

Não só mais um grande disco. Mais uma soma de boas músicas de uma banda que não decepciona nem os fãs e nem a si mesma.

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